Espiritismo na Dança

“Dança é prece para a Vida.”

12/8/09

Dança: Vibração da Alma

A dança é a vibração da alma que a arte impulsiona sobremaneira.
O corpo é repositório de nossas experiências mantidas nos séculos de nossas existências.
Em cada uma delas, nos despojamos deixando ao solo o acúmulo e o desgaste de nossas energias somáticas. No entanto, levamos conosco em maior profundidade a cada vez, o resultado e o acúmulo das energias, sentimentos e emoções em nosso perispírito: Nosso corpo luminoso, energético e mais sutil. É ele a ligação do ser que somos com o ser que estamos.
A arte, sutilizada e espiritualizada, que eleva-se às esferas em busca da beleza e da divindade, emana e detém as energias através deste veículo: o corpo perispiritual.
A dança, presente nas demais artes e mãe destas todas, é importante veículo de manipulação fluídica e espiritual, deixada ao largo porque ao se definir no ser, em seus contornos e desenhos primários, reflete em maior amplitude o grau evolutivo deste mesmo ser.
A humanidade, embora haja evoluído muito em referência ao seu ponto de partida, muito distante ainda se encontra do seu ponto de chegada.
É-nos mais fácil responder ao que conhecemos. E mais perto ainda nos encontramos das tribos arcaicas que da angelitude.
Nosso corpo fluídico guarda em si os sons dos tambores que buscavam as chuvas, dos chocalhos que cantavam para os ventos e dos batedores que buscavam o deus da força, o deus da natureza.
Gravados neste veículo menos grosseiro, estão os cânticos ritualizados e unicórdios das sociedades primitivas e a eles respondemos como às lembranças carinhosas de nossa infância.
Quando o homem houver desligado-se das imagens e sensações terrenas, através do intercâmbio e das visões do mundo espiritual, das esferas onde a alegria, a harmonia e a paz reinam, refletirá em seu corpo espiritual e este imprimirá no soma as energias divinas e harmônicas do universo.
A dança será então, como já o é em esferas sutilizadas, um cântico de louvação fisicalizada em luzes e formas, emitindo irradiação salutares e terapêuticas, unindo almas em sintonia com os benfeitores e elevando o ser ainda mais a planos de sutilíssimas harmonias.
A arte que plasma no homem a harmonia divina, ainda não foi por ele descoberta em sua real utilidade.
Ainda há pouco iniciou-se a busca da espiritualização da arte. Esta é sim, reflexo do homem hodierno, que ainda busca, qual náufrago em desespero, o prumo e o centro de suas aspirações. Suas inquietações ainda o perturbam e desarranjam sem que lhes traga a felicidade.
Arte e homem caminham juntos por serem tão somente uma única e mesma coisa.
A arte é o elemento divino do homem, sua emoção, sua aspiração, seu ideal, deveria ser-lhe alavanca a Deus. E o será quando ele, o homem, melhorando-se, melhorá-la, elevando-se, elevá-la e divinizando-se, divinizá-la.

Ariel

24 janeiro de 2003.

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A Arte Sublimada

A arte sublimada permite não apenas a doação de energias salutares e benéficas dos benfeitores espirituais àqueles que dançam quanto àqueles que assistem, mas, e principalmente, serve de instrumento sutil de cirurgia espiritual com fins úteis, em adequação e reparos dos que dela, a arte, comunguem.

A arte sublimada, eleva o campo energético, ampliando e aproximando os homens dos espíritos incumbidos de lhes auxiliar, pois que faz eleva os pensamentos, retirando-os, ainda que por breves instantes, do contato com a matéria densa que quase sempre os envolve, permitindo alcançar-lhes o âmago do ser e ali repercutir um eco de amor e sensações de paz.

A arte, quando elevada, saturada de sentimentos e imagens dignificantes, faz purificar a atmosfera em derredor, servindo de filtro dos fluidos e burilando as densidades, tornando-as mais rarefeitas, como delicada chuva que aquece a terra, retirando-lhe a vegetação gasta e a poeira ali deixada, assim a arte retira as densidades grotescas e acumuladas no perispírito dos homens servindo-lhe de salutar banho, a auxiliar sua higienização mental e fluídica.

Toda e cada vez que a arte é utilizada em busca das altas esferas e para materialização dos reinos angelicais, aí encontram os espíritos do bem, oceano perfeito para germinação do amor, do perdão e da renovação.

Façamos destes instantes ainda raros, instantes cada vez mais constantes para que possamos colocar em serviço útil as nossas potencialidades artísticas, dons desenvolvidos adrede para alimento de nossa vaidade, hoje em vias de burilamento e serviço de caridade.

 

 

 

Adolfo.

04 novembro de 2002

 

 

 

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31/5/09

Técnica e Mensagem na Dança Espírita: a busca do equilíbrio perfeito

Daniela L. Pereira Soares

almanova@ig.com.br

 

 

CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

A arte não pertence a país algum, veio do Céu.”

                                                                Miguel Ângelo

 

Antes de iniciar nossa reflexão, é importante conversar sobre alguns termos que serão usados ao longo do texto, evitando assim, alguns equívocos acerca do entendimento dos mesmos. O próprio termo “dança espírita”, para algumas pessoas não soa bem, preferem usar “dança com temática espírita”, outras ainda, preferem usar apenas “dança”.  Diferentes pontos de vista, que se postos em questão, todos teriam sua parcela de razão.  Aqui, será usado o termo “dança espírita”, pois em poucas palavras ele se aplica a uma parcela restrita de pessoas que fazem esse tipo de dança, em determinado local e com uma finalidade específica. Aqui nos referimos a grupos de pessoas que entendemos são espíritas, ou seja, acreditam, vivenciam as idéias e crenças espíritas e fazem um diálogo desses conhecimentos com a dança.   Já quando se fala “dança com temática espírita”, não se torna claro que esteja se referindo a um grupo espírita, pois como existem grupos teatrais que encenam peças, novelas, filmes que abordam temas espíritas sem serem necessariamente espíritas, nada impede que um grupo de dança como o  Grupo Corpo[1] ou o  Ballet Stagium[2] dance uma coreografia voltada a temas espíritas sem necessariamente serem espíritas. Isso também leva a pensar, que quando se fala em “dança espírita” não está se referindo apenas à temática do ballet[3] ou coreografia, mas aos objetivos e as finalidades que orientam o grupo de pessoas que o fazem.

Outro ponto a salientar é em relação ao pensamento de que um dia haverá uma “arte espírita”, como um dia houve a arte pagã e a arte cristã e dentro disto podemos inserir a dança. Neste contexto citamos alguns trechos do livro Arte e Espiritismo organizado por Renato Zanola, onde ele faz transcrições da Revista Espírita (1860), no qual baseamos nossa fala anterior:

 

“A Pintura, a Escultura, a Arquitetura e a Poesia inspiraram-se sucessivamente nas idéias pagãs e nas cristãs. Podeis dizer se, depois da Arte cristã, haverá um dia, uma Arte espírita? O Espírito respondeu:  - Fazei uma pergunta respondida por si mesma. O verme é verme; torna-se bicho da seda; depois, borboleta. Que há de mais aéreo, de mais gracioso do que uma borboleta? Então! A Arte pagã é o verme; a Arte cristã é  casulo; a Arte espírita será a borboleta”. (Zanola, 1997, p.17)

 

Quando dizemos que a Arte espírita será um dia uma Arte nova, queremos dizer que as idéias e as crenças espíritas darão às produções do gênio um cunho particular, como ocorreu com as idéias e crenças cristãs e não que os assuntos cristãos caiam em descrédito; longe disto; mas , quando um campo está respigado, o ceifador vai colher alhures, e colherá abundantemente no campo do Espiritismo. E já o fez, sem dúvida, mas não de maneira tão especial quanto o fará mais tarde, quando for encorajado e excitado pelo assentimento geral. Quando estas idéias estiverem popularizadas, o que não pode tardar, pois os cegos da geração atual diariamente desaparecem da cena, por força das coisas, a geração nova terá menos preconceitos… Tempo virá em que elas farão surgir obras magistrais, e a Arte espírita terá os seus Rafael e seus Miguel Ângelo, como a Arte pagã teve os seus Apeles e os seus Fídias.” ( Zanola, 1997, p.25)

 

           

            Acredita-se que esse movimento de renovação nas artes já está começando e não é propriedade exclusiva dos espíritas. Colocando o foco estritamente na dança, nota-se ela despontando em diferentes linhas religiosas, e independente da crença, do pensamento que os diferentes cultos lhe imprimem  e se refletem na forma de fazer e pensar a dança, já se pode ver alguns pontos comuns entre elas, um deles  chama a atenção – a reforma íntima.

Dança é dança, independente de ser feita numa academia, numa praça ou num centro espírita e, não é propriedade de nenhum grupo étnico, ou religioso, senão da própria humanidade. Apesar dos rótulos que se possa querer utilizar, nenhum deles modifica o que seja dança, independente do estilo, do modo de se fazer ou se teorizar dança, no entanto, às vezes eles se fazem necessários para que se possa delimitar  um grupo com a finalidade de analisar suas práticas.

 

TÉCNICA NA DANÇA ESPÍRITA

 

“Eu não danço, eu sou a dança.”

                                                Klauss Vianna

 

Dentro da história da dança a partir do pensamento de BOURCIER (2001), é na Itália, no Quatrocentos,  que pela primeira vez se pensou na necessidade da técnica em dança. A dança que era uma expressão corporal realizada relativamente livre até então, passa a tomar consciência das possiblidades de expressão estética do corpo humano e da utilidade das regras para explorá-lo.

Mas o que é técnica afinal? Segundo o dicionário virtual Wikipédia:

 

 Técnica é o procedimento ou o conjunto de procedimentos que têm como objetivo obter um determinado resultado, seja no campo da Ciência, da Tecnologia, das Artes ou em outra atividade. A palavra se origina do grego techné cuja tradução é arte.”

 

            Trazendo isso para o universo da dança, conforme DANTAS (1999), a técnica é uma maneira de realizar os movimentos, organizando-os segundo as intenções formativas de quem dança.  Ela está presente tanto nos processos de criação coreográfica quanto nos processos de aprendizagem, passando a ser um modo de informar o corpo e, ao mesmo tempo, de facilitar o manifestar da dança no corpo, ou seja, tornar o corpo que dança ainda mais dançante. A técnica torna o bailarino apto a manifestar-se em determinado código.          

Mas será que a técnica é realmente necessária em um grupo espírita de dança? A técnica não seria dispensável, já que os objetivos dos grupos  não repousam na formação de bailarinos profissionais, nem na realização de exibições virtuosas?

            Pensando a técnica como um fim em si mesma, como um treino mecânico que nos leva a girar, a saltar somente, seria fácil chegar a conclusão que ela não é tão necessária, no entanto, pensando a dança como uma linguagem  e a técnica como uma forma de manifestação dessa linguagem, talvez seria algo a ser pensado.

            Da mesma forma que o músico espírita faz uso das notas musicais, dos acordes, de técnicas específicas para compor suas canções, fazendo uso de um instrumento afinado para se expressar, o bailarino também carece de um repertório de movimentos e de um instrumento (corpo) capacitado para externá-los.

 

“Como o poeta deve, cada vez mais, conhecer e dominar o seu idioma para ter maior capacidade de expressar as suas idéias sem restrições, o dançarino deve dominar a técnica do movimento para aumentar seu vocabulário corporal e o coreógrafo precisa conhecer os princípios do movimento para enriquecer seu material principal de trabalho – o movimento. Porém, sem deixar que esta classificação se torne inibidora da espontaneidade interpretativa e criativa”. ( Robatto,1994, p.110)

 

            Quanto maior o aprimoramento do bailarino, mais natural a dança se torna em seu corpo, permitindo que a mensagem que ele queira transmitir através do movimento, flua livremente e atinja mais vivazmente o espectador. Dessa maneira, a técnica não entra como o ponto principal do fazer dança, mas sim como um meio facilitador à expressividade do movimento.

             O conhecimento e aplicação da técnica da dança nos grupos espíritas, além de favorecer uma maior consciência  corporal e do movimento, ampliando suas possibilidades de expressão coreográficas, ajuda na prevenção de possíveis lesões que a prática incorreta pode levar a termo. Oferecerá também base segura  para que o coordenador do grupo ou o responsável pelo treinamento técnico possa realizar seu trabalho de maneira correta e honesta, respeitando o corpo em formação de crianças e adolescentes sob sua responsabilidade.

            Assim como o evangelizador busca apoio no conhecimento científico para entender a educação e, dessa forma ampliar suas ações na seara espírita; nada há de errado em se buscar o conhecimento teórico e prático da dança, desde que, o trabalho no grupo espírita de arte  não se encerre na técnica, mas que alicerçado em Kardec e na vasta literatura espírita, descortine o que está além dela, e se desdobre em auto-conhecimento, melhoria interior, caridade e esperança dentro e fora da casa espírita.

 

 

A MENSAGEM ESPÍRITA NA DANÇA

 

“ O espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites.”

                                                         Léon Denis

 

            O que caracteriza um grupo como “grupo espírita de dança” não é apenas a mensagem espírita expressa em suas coreografias, pois como se refletiu no início desse artigo,  qualquer grupo profissional ou amador  pode fazer isso, independente de ser espírita ou não.  Todavia, cabe a nós o papel de o fazê-lo, implícita ou explicitamente, pois se nós que somos bailarinos e coreógrafos espíritas não falarmos de temas espíritas em nossas coreografias, quem falará por nós?

            Essa frase, bastante conhecida entre os bailarinos espíritas, me tocou  profundamente num momento crucial dentro do grupo espírita de dança[4] em que eu atuava. Naquele momento a dúvida me assombrava. Nosso grupo sempre se caracterizou pela criação de ballets onde a temática espírita era bem declarada e comecei a me questionar sobre esse nosso posicionamento.  Será que o caminho que estávamos seguindo era correto? Será que precisávamos ser tão diretos?

            Comentando essa questão com uma colega das lides espíritas, ela me disse essa frase, que me marcou pra vida toda.  Essas palavras passaram a me conduzir com segurança dentro da dança espírita.  Esta colega,   nem sabe que é autora dessa frase, nem o quanto ela representou pra mim, nem para os grupos que posteriormente dirigi, mas ela me deu um caminho,  que ajudou traçar a história de vários grupos espíritas de dança.

            Independente do caminho que cada grupo escolha para se guiar, o conteúdo espírita-cristão é compromisso intransferível, seja na vivência diária ou refletido nas coreografias que são criadas.   

 

“ Sim, certamente, o Espiritismo abre à arte um campo novo, imenso e ainda inexplorado, e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações, e o seu nome viverá nos séculos futuros, porque às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, substituirá o estudo da vida futura e eterna da alma.” ( Kardec in: Obras Póstumas, 1995, p. 157)

 

 

 

“Os artistas da Terra deverão inspirar-se nesses modelos sobre-humanos que os ensinamentos espírita lhes tornarão familiares.  A Educação estética humana comporta concepções cada vez mais elevadas a fim de que o sentimento do belo penetre e desenvolva-se em todas as almas.  Uma evolução já se produz nesse sentido, e ela se acentuará sob a influência do Além. (Dennis,1994, p.15)

 

            Vale ressaltar a responsabilidade perante tarefa tão importante e delicada, a de transmitir o conteúdo sem mácula.  A fidelidade quanto a conteúdo doutrinário deverá ser alicerçada no estudo e na vivência do Evangelho do Cristo.  Como asseverou-nos o Espírito de Verdade, no capítulo VI do Evangelho Segundo o Espiritismo:  “Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo.”

            Não há como transformar em dança um conteúdo que se desconhece. O estudo da doutrina espírita é parte essencial da criação coreográfica, na dança espírita, sem o qual ela corre o risco de tornar-se vazia e perde seu papel transformador.

 

“ O Espírito não pode se identificar senão com aquilo que sabe, ou que crê ser uma verdade, essa verdade, mesmo moral, torna-se para ele uma realidade que exprime tanto melhor quanto a sente melhor; e então, se à inteligência ele junta a a flexibilidade do talento, faz passar as suas próprias impressões nas almas dos outros; quais impressões, contudo, pode provocar aquele que não as tem? (Kardec in: Obras Póstumas, 1995, p.153)

 

            Voltando o olhar para o  processo de criação coreográfica no qual a mensagem torna-se peça central, vemo-la muitas vezes perdida em meio a movimentos mecânicos e desprovidos de significado, muitas vezes, sem que aqueles que o fazem tenham consciência disso. Isso acontece  no âmbito da dança em geral, pela própria formação técnica que o bailarino é submetido, numa perspectiva dualista que insiste em separar corpo e mente, cujas raízes filosóficas remontam a Idade Média.[5]

            ROBATTO (1994) afirma que tradicionalmente o bailarino só é trabalhado no seu aspecto técnico-corporal, ficando geralmente relegada a um segundo plano sua formação técnica  no que se refere a expressividade do movimento e à interpretação coreográfica. Isso acontece porque os exercícios técnicos de condicionamento físico, por vezes, são tão massacrantes que não levam em consideração a expressividade.  Porém, não se pode trabalhar o próprio corpo, depositário de toda uma vivência espiritual, mental, afetiva, sensorial, etc.,considerando-se apenas os objetivos técnicos quantitativos, dirigidos para se tentar alcançar novos records de capacidade física. É preciso saber lidar com a indispensável disciplina técnica, sem bloquear a sensibilidade e a imaginação do bailarino.

            Vale lembrar que o papel do coreógrafo é fundamental no sentido  de transmitir aos bailarinos a intenção do movimento, ou buscar junto com os mesmos através de uma vivência mais significativa, movimentos que expressem melhor o pensamento coreográfico; pensamento este, embasado no estudo e  nas reflexões de todo o grupo envolvido na montagem.

            Toda obra artística é passível de diferentes interpretações, no entanto, é importante tornar clara a mensagem que se queira transmitir. Neste aspecto, a auto-crítica e o olhar de outras pessoas antes da finalização da obra é fundamental para que ela seja repensada e que para que a melhoria seja buscada.  Nada tão desanimador, quanto ouvir ao final de uma apresentação: O que você quis dizer com aquela coreografia?

            A mensagem espírita na dança é compromisso sério que exige, estudo, comprometimento e criatividade do artista espírita.  Que ela esteja presente em nossas coregrafias com a seriedade e o respeito que ela merece, mas que antes disso, ela brilhe em nossos atos e atitudes,  através das coreografias que criamos em nossa vivência diária e que oferecemos ao Pai cotidianamente.

           

 

REFORMA INTIMA: O ELEMENTO INDISPENSÁVEL

 

 

            A mensagem espírita é um dos aspectos que caracteriza um grupo espírita de dança, principalmente aquela que é que vivenciada e transmitida pelo exemplo. Nas coreografias, a técnica conferirá material adequado para que ela se construa, o estudo das obras básicas será o alicerce, mas somente a sintonia com as esferas superiores, através do esforço por melhorar-se é que produzirá a vibração  que arrebatará quem assiste.

 

“O sentimento é foco gerador de energia emuladora, que, qual dínamo gerador de vibrações superiores, atingirá o coração, o sentimento, estimulando as qualidades superiores dos que estão em seu raio de influência, levando-os a seguir o exemplo, a imitar, não mecanicamente, mas atraído pela força emuladora que emana do próprio coração.” ( Alves, 1997,  p. 155)

 

            Daí o compromisso maior do fazer dança espírita, acender a luz que nos é própria para que a Luz do Cristo resplandeça em nossas obras.

 

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Estai em mim, e eu em vós: como a vara de mim mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.

Eu sou a videira, vós as varas: quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.” (Bíblia, João, 15:4,5,10)

 

            Segundo ALVES (2000), a arte não é apenas uma forma de expressão, mas acima de tudo, uma forma de crescimento interior, de desenvolvimento das potências da alma. Quando direcionada aos canais superiores da vida, auxilia o Espírito a vibrar em sintonia mais elevada, afinando seus sentimentos estéticos com vibrações sutis, com o amor que se amplia e se expande ao infinito.

         A reforma íntima se reveste de caráter fundamental num grupo espírita de dança, pois que forças, que luzes, que consolações, que esperanças podemos passar às outras almas se não temos em nós próprios senão obscuridade, dúvida, incerteza e fraqueza ? Será também nosso elemento de ligação com a espiritualidade maior, atraindo a companhia dos bons espíritos, fazendo-nos crescer e dando às nossas criações um caráter que ultrapassa o visível,  o palpável, o sensorial, mas antes de tudo, um misterioso encanto, que atrai e convida a transformação de dentro pra fora.

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

 

            A arte  se reveste de nuances sensíveis e  profundas,  que em sua maioria ainda não conseguimos apreender,  a medida que vamos evoluindo, crescendo espiritualmente, vamos tomando contato gradualmente com a fonte da qual ela emana.

            A arte é tarefa importante na casa espírita e se reveste da mesma importância que as demais atividades. O estudo, o trabalho sério e desejo sincero por querer melhorar-se são a base segura para que o trabalho se desenvolva com  êxito.

            Concluindo as reflexões acerca da técnica e da mensagem na dança espírita, penso que a mensagem espírita é o tesouro que se oferece quando se dança, mas a sua força maior não está no roteiro coreográfico que se prega, nem no virtuosismo técnico adquirido, mas repousa sem dúvida na transformação moral que já se alcançou. 

            Que as criações coreográficas que são feitas nos grupos espíritas de dança se sedimentem não apenas na boa vontade de fazer e servir, mas que busquem apoio no estudo da doutrina, nas técnicas da dança e na vivência do amor e da caridade. Com toda a certeza a mensagem ficará comprometida se houver carência técnica, o mesmo podemos asseverar da falta de conhecimento doutrinário, mas a ausência do ideal superior comprometerá ainda mais, pois será como uma música que toca por um instante e depois desaparece, sem produzir eco algum nos recônditos da alma.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ALVES, Walter Oliveira. Educação do Espírito: Introdução à Pedagogia Espírita. 1ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita,1997.

 

ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª edição. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.

 

BOUCIER, Paul. História da Dança no Ocidente. 3ª Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

 

DANTAS, M. Dança: o enigma do movimento. Porto Alegre: Editora UniverCidade/UFRGS, 1999.

 

DENNIS, Leon. O Espiritismo na arte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994.

 

KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 3ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1995.

 

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 182ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1978.

 

KATZ, H. Entre a Heresia e a Superstição. In: São Paulo. SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA, CENTRO CULTURAL SÃO PAUL. Navegar é Preciso: Portugal – Brasil: problemas estruturais e similaridades conceituais na dança de Brasil e Portugal. São Paulo, 1998 p. 7-16

 

ROBATTO, L. Dança em Processo: a linguagem do indizível. Salvador: Centro Editorial e Didático da UFBA, 1994.

 

ROCHA, Ruth. Minidicionário. São Paulo: Scipione, 1995.

 

VIANNA, Klauss. A Dança.2ª ed. São Paulo: Siciliano, 1990.

 

ZANOLA, Renato. Arte e Espiritismo: Textos de Allan Kardec, André Luiz e Outros Autores. 2ª ed. Rio de Janeiro: Edições CELD, 1997

 

Ballet Stagium  - artigo disponível em:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ballet_Stagium

 

Grupo Corpo -  artigo disponível em :

http://www.grupocorpo.com.br/pt/historico.php

 

Técnica – artigo disponível em :

http://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A9cnica

 

 

 

 



[1] Referência à companhia mineira de dança contemporânea de renome internacional, criada em 1975 em Belo Horizonte pelos irmãos Pederneiras.

[2] Referência a Companhia de balé brasileira, criada em 1970, em pleno regime militar, sediada em São Paulo. O Ballet Stagium é coordenado por Marika Gidali e Décio Otero e já conta em sua história com mais de 80 coreografias no decorrer desses mais de 30 anos.

 

[3] Conjunto de coreografias que versam sobre um tema ou contam uma história usando a dança como linguagem.

[4] Referência ao Grupo Espírita de Dança Evolução, criado em 1995 em Araras/São Paulo e atuante até hoje.

[5] Ao  final da Idade Média, de acordo com KATZ ( 1998), fazia-se necessário acreditar no dualismo corpo-mente, pois só assim seria permitido estudar o corpo anatomicamente, sem ir de encontro às normas religiosas da época.  O corpo passa, então, a ser visto como um objeto de observação e de estudo, separado da alma – pura e intacta aos pecados deste corpo. A possibilidade do homem tornar-se um observador do mundo, separado dele, motor do nascimento da perspectiva linear, gesta a ciência clássica.

 

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A Dança na Casa Espírita: Buscando Caminhos Possíveis

                                                                                                      Daniela Luciana Pereira Soares

                                                                                                                               almanova@ig.com.br

 

“O lugar da dança é nas casas, nas ruas, na vida.”

                                                                   Maurice Béjart

 

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS

 

           

Há um tempo atrás, falar em dança na casa espírita, com certeza provocaria certa estranheza.  Hoje em dia, sua presença está se tornando gradativamente mais comum e, penso particularmente, que num futuro não muito distante, nossos textos fazendo referência ao preconceito e as dificuldades iniciais na sua difusão dentro da casa espírita é que causarão certo espanto nos confrades espíritas.

            Atualmente, a dança aparece nos cenários espíritas junto a performances teatrais ou musicais ou em grupos constituídos especificamente para trabalharem com essa linguagem artística – os chamados grupos espíritas de dança[1]. 

            Dentre os grupos que conhecemos, muitos já contam com um pouco mais de uma década, mas a grande maioria vem de iniciativas recentes.  Dessa forma, a base teórica e filosófica que sustenta o trabalho dos grupos ainda está sendo construída e refletida pelos mesmos.  Embora saibamos que independente de termos consciência ou não, o nosso trabalho sempre reflete uma ideologia, uma maneira de pensar e a dança espírita não fuja disso, acreditamos que suas bases ainda estão criando raízes, através da troca de experiência entre os grupos e das reflexões buscadas nos grupos de discussão, bem como nos encontros voltados ao estudo da arte espírita e nas mostras espíritas de dança.

            A finalidade do presente artigo é refletir sobre os objetivos da dança na casa espírita e os diferentes papéis possíveis de serem exercidos por ela no seio da comunidade espírita. Faremos isso, através de um estudo de caso, tendo por companhia autores da Doutrina Espírita. Usaremos como material de análise, as experiências vivenciadas no Grupo Espírita de Dança Evolução[2] no período de 1995 a 2004, período em que tivemos na coordenação do grupo.

            Não temos a pretensão de lançar definições, apenas levantar pontos a serem refletidos, baseados na nossa experiência particular.  Acreditamos que a reflexão sobre a prática vivenciada nos grupos, alicerçada no estudo da doutrina espírita deve ser uma constante, para que o trabalho não se perca na práxis e se traduza num pensar, agir e sentir coerentes.

 

1.1             ENCONTRANDO UMA DIREÇÃO

 

O Grupo Espírita de Dança Evolução foi criado em Dezembro de 1995 no Instituto de Difusão Espírita, quando um grupo de jovens da mocidade, atendendo a um pedido do coordenador da Evangelização Espírita Infantil se uniu para criar uma coreografia sobre o tema Evolução.  Até então, nenhum dos jovens havia tido contado com a dança nem dentro nem fora da casa espírita, somente uma jovem tinha formação em dança e posteriormente passou a coordenar o grupo.  Com a apresentação dessa primeira coreografia, o grupo se constituiu como grupo espírita de dança e nunca mais parou.  É aí que começa uma história, pano de fundo para nossa análise, construída desde a base por cada um de seus integrantes.

No início do grupo, a idéia que tínhamos sobre os objetivos da dança na casa espírita, pairava sobre a divulgação do espiritismo.  Com o tempo, passamos a participar de encontros de arte espírita, voltados ao estudo e a reflexão e fomos construindo uma nova visão de arte.  Somado a isso, o Departamento de Evangelização do Instituto de Difusão Espírita, oferecia anualmente um Curso de Formação de Evangelizadores[3], no qual o papel da arte era muito valorizado, e se fundamentava na melhoria interior e na interação com a espiritualidade maior. Isso contribuiu para que constantemente nos questionássemos sobre a finalidade da dança na casa espírita e fôssemos buscar respostas.

 

“… A arte não é apenas uma forma de expressão, mas acima de tudo, uma forma de crescimento interior, de desenvolvimento das potências da alma. Pode-se tornar um ótimo elemento de integração vertical, auxiliando o Espírito a vibrar em sintonia mais elevada, afinando seus sentimentos estéticos e sintonizando com as esferas elevadas da vida, com vibrações sutis, com o amor que se amplia e se expande ao infinito.” (Alves, 2000, p.192)

 

            Essas experiências foram fundamentais, para que posteriormente viéssemos a definir com clareza os objetivos do nosso grupo.  Mas o que é objetivo?

            Procurando auxílio no dicionário, encontramos as seguintes definições:

 

                 Objetivo: Fim. Objeto que se quer atingir.

                 Objeto: Coisa. Motivo. Finalidade.

                 Finalidade: fim a que se destina uma coisa; objetivo; alvo.

 

            O objetivo é a bússola norteadora de qualquer trabalho, como vimos acima, o alvo que se quer atingir.  Se não sabemos claramente aonde queremos chegar, não chegaremos a lugar algum ou andaremos qual barco sem rumo ora se dirigindo a uma direção, ora a outra, seguindo a livre vontade do vento.

            Como disse anteriormente, a partir de várias vivências que nos fizeram refletir sobre os objetivos da dança na casa espírita e estudando obras da codificação referente à arte, elegemos como objetivo primeiro do grupo a reforma íntima.

 

“O objetivo essencial da arte, já dissemos, é a busca e a realização da beleza; é ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita da beleza física e moral. Quanto mais a inteligência se purifica, se aperfeiçoa e se eleva, mais se impregna da idéia do belo. O objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza, a fim de realizá-la no ser e em suas obras. Tal é a regra da alma em sua ascensão infinita.” (Denis, 1994, p.9)

 

A interpretação pessoal que fazemos do trecho acima do livro “O Espiritismo na Arte” de Léon Denis, é que o objetivo essencial da arte repousa na melhoria íntima.       Quando ele afirma que “o objetivo essencial da evolução será, portanto, a busca e a conquista da beleza, a fim de realizá-la no ser e em suas obras”, entendemos que a realização da beleza no ser, não pode estar senão voltada para a melhoria interior, para a reforma íntima, visto que o corpo físico é perecível e só o espírito é eterno.  Da mesma forma quando se refere à realização da beleza “em suas obras”.  Nossas obras são o reflexo do que somos, e só refletirão a beleza à medida que esta cumprir-se em nós.

 

“Isto porque, para conceber, para produzir obras geniais, capazes de elevar as inteligências até o máximo do pensamento, até o ideal de beleza perfeita, é necessário primeiramente criar-se a si mesmo, edificar sua própria personalidade e torna-la suscetível de provar, de compreender os esplendores da vida superior e a harmonia eterna do mundo. Que forças, que luzes, que consolações, que esperanças podemos passar às outras almas se não temos em nós próprios senão obscuridade, dúvida, incerteza e fraqueza? (Denis, 1994, p. 87)

 

O trabalho do Grupo Espírita de Dança Evolução se desdobrava em vários grupos divididos por faixa etária, para facilitar o trabalho com a técnica de dança e os interesses e necessidades de cada idade. Nesta época, o grupo já contava com vários integrantes-professores, que ministravam aulas de dança nestes grupos.  A existência de um objetivo comum, claro para todos os integrantes, possibilitava um trabalho em uníssono, sem notas dissonantes aqui ou acolá. Também servia de alerta constante, para que buscássemos em nossas coreografias o reflexo desse ideal, nos afastando do culto a vaidade e ao orgulho ainda tão presentes em nós.

Acreditamos que a “reforma íntima” resume em si muitos dos objetivos que possamos traçar para a arte na casa espírita.  À medida que nos esforçamos em nossa melhoria interior, vamos gradualmente sintonizando com vibrações de teor mais elevado, despertando o potencial divino, latente em nós. Segundo ALVES (2000), o sentimento corresponde a estado vibratório que se amplia e se desenvolve. À medida em que se emite vibrações, sintoniza com vibrações de teor semelhante, e mais se desenvolve. Além disso, afirma que:

 

“Existem estados vibratórios ou sentimentos que o intelecto apenas, por si só, não atinge. Energias espirituais superiores vibram em nível superior e para senti-las é preciso entrar em sintonia. Apenas com a razão, com o intelecto, não conseguiremos elevar nosso padrão vibratório para sentir tais vibrações sutis. A arte, contudo, nos permite atingir esses estados superiores, elevando nossa vibração.” (Alves, 2000, p.193).

 

            Tendo a reforma íntima por fim do grupo espírita de dança, o objetivo da apresentação coreográfica passa a ser o “doar-se”.  A apresentação ganha um novo sentido, que vai além da demonstração técnica, da divulgação da doutrina, mas atinge o campo da vibração, a ação sem palavras, o diálogo de alma para alma.

            Isso que nos moveu a realizar uma apresentação na Clínica Psiquiátrica Antônio Luiz Sayão, em Araras/SP.  Todos estávamos cientes, de que os espíritos encarnados que ali se encontravam em corpos mutilados, desequilibrados mentalmente, não receberiam nossa mensagem pelos sentidos comuns, mas pela energia, pela vibração, pelo contato espírito a espírito que a arte ali estabeleceria.

            A transmissão do conteúdo espírita-cristão também é elemento importante, mas não um fim em si mesmo.  A maior propaganda que podemos fazer da Doutrina Espírita é nossa própria modificação.  De que adianta nos aplicarmos fervorosamente na difusão do espiritismo através da arte, se não nos aplicarmos a vivenciá-lo em nós mesmos.  É claro que a Doutrina Espírita estará presente como temática central nas coreografias dos grupos espíritas de dança, mas como já afirmamos em textos anteriores, sua força pousará na transformação moral já alcançada. Fácil é ludibriarmos sobre nossa verdadeira moradia espiritual através das aparências da carne, mas difícil é escondermos a vibração que emanamos, campo em que as máscaras caem e as transparências revelam.

 

 

2.2. CAMINHOS E POSSIBILIDADES

 

“Nenhum caminho é igual a outro não há rima perfeita nem em versos alexandrinos,mas todos os sonhos são voláteis às seis da manhã.”

                                                      Simão de Miranda

           

A dança na casa espírita se desdobra em inúmeras possibilidades, como as demais linguagens artísticas – música, teatro, literatura, artes plásticas.   Da criança ao idoso ela propicia uma gama de vivências significativas, seja no aspecto educativo, terapêutico, social e espiritual, sem contar os benefícios físicos e psíquicos proporcionados por ela.

            Segundo NANNI (1995), na Grécia a dança constituía parte fundamental da educação; realizada de várias formas, era empregada a partir de cinco anos até o limiar da velhice.

            Entre as civilizações primitivas, vemo-la ligada aos rituais, ao êxtase, como elemento de ligação com o divino.  Em diferentes períodos da humanidade podemos ver essa relação que ela estabelece com a religiosidade, ora intensificando-a, ora se desligando quase por completo, refletindo o pensar, o sentir, o querer de um povo, de uma época.

            Iluminada pelo conhecimento espírita, mostra-se como elemento de ligação com Deus, de sensibilização, de estímulo à capacidade criativa, de elevação de padrões vibratórios, dentre tantos outros.

            A dança, a arte de forma geral, é sem dúvida elemento valioso dentro da casa espírita, que se bem utilizado, canalizará energias para o bem e belo, propiciando elevação e renovação.

 

“Não há dúvida de que a arte produz fortes estímulos a fortalecer e impulsionar nossas energias para o bem e para o belo, despertando nossas energias superiores, trabalhando nossa vontade, nosso querer para o melhor, para o belo, para o nobre, para o superior. Ao mesmo tempo a arte permite oferecer oportunidade de experiências variadas atendendo às tendências e aptidões individuais. A música, a dança, o teatro, as artes plásticas, a literatura, formam ambiente de nível superior a tonificar o Espírito, alimentando suas tendências para o melhor e estimulando as regiões superiores da alma, o germe da perfeição, a essência divina que se desenvolve gradativamente em todos nós.” (Alves, p.47)

 

No campo da evangelização espírita infantil direcionará a vontade a ideais superiores, será veículo de educação do sentimento, despertará o potencial criativo.  A dança vem de encontro com a necessidade de movimento e expressão da criança, educativa por excelência, poderá estar presente como estratégia metodológica para se aprender um conteúdo, de forma ativa e construtiva ou como oficina em um horário a parte da evangelização, propiciando vivências estéticas que se refletirão em toda a vida da criança.

 

“Deixai que as crianças bebam nas fontes mais puras da Arte terrestre… Que elas possam exercitar a sua sensibilidade, ouvindo as melodias mais doces jamais feitas; olhando as cores e as luzes mais sutis já tecidas; declamando os poemas mais elevados jamais compostos; sentindo as produções mais próximas da divindade que o homem já atingiu. Fazei isso com todas elas e se não tiverdes no futuro todos os homens literalmente artistas, tê-lo-eis moralmente melhores e mais criativos.” (Schiller, mensagem psicografada, médium Dora Incontri, in: A Educação Segundo o Espiritismo, p. 215)

 

Dentro da experiência vivenciada no Grupo Espírita de Dança Evolução, a oficina de dança era realizada em um horário a parte do horário da evangelização, embora também estivesse presente nas aulas e em comemorações realizadas pelos evangelizadores, e reunia crianças que tinham interesse pela dança[4]. O trabalho da oficina de dança, que ocorria semanalmente e em horários pré-estabelecidos, consistia no aprendizado de técnicas específicas de dança e vivências de improvisação e criação livre, que também abrangiam temas que as crianças estavam estudando na evangelização.  O ápice do processo ocorria na criação e apresentação de coreografias a partir dos temas estudados, o que também servia de estímulo ao trabalho do grupo, que se submetia a treinos e ensaios que exigiam muita disciplina, persistência e força de vontade.

Além do campo da evangelização infantil e da mocidade espírita, a dança oferece ao adulto e ao idoso as mesmas oportunidades de expressão e crescimento, alcançando também, níveis terapêuticos.  María Fux, bailarina argentina e criadora da dançaterapia[5] nos diz que a necessidade do adulto expressar-se através de seu corpo é uma necessidade imperiosa, pois com o passar dos anos, o adulto, especialmente, restringe seus limites corporais e psicológicos.  Afirma ainda, que somente arrancando e desenvolvendo as possibilidades internas e físicas que temos, é que podemos equilibrar-nos.

“Creio que a dança e o movimento, encarado no criativo que todos temos, ajudam a uma profilaxia terapêutica que deveríamos realizar diariamente.”

“O movimento e a possibilidade de estimulá-lo com a música, a palavra ou o silêncio, revela no espaço a psicologia profunda do indivíduo. Isto se obtém melhorando as possibilidades existentes, desenvolvendo outras e, fundamentalmente, fazendo sentir ao grupo a possibilidade criadora que há dentro de cada um de seus integrantes: deste modo é possível desenvolver não só a parte física, mas também a psíquica, estimulando-os a um reencontro que produz descarga e alegria.” (Fux, 1983, p.115)

 

 

 

               Grupo Espírita de Dança Evolução Adulto apresentando-se durante a III Mostra Espírita de Dança

           

 

            A primeira experiência com adultos e idosos no Grupo Espírita de Dança Evolução, surgiu da necessidade de envolvermos mais a casa espírita e os pais dos integrantes do grupo na vivência artística, no nosso caso, a dança. 

            O trabalho do grupo era intenso, ensaios em finais de semana e feriados, muitas apresentações e viagens, enfim, uma proposta que exigia muita dedicação e envolvimento, nem sempre compreendida por aqueles que olhavam de fora.  Embora o apoio que recebíamos da casa espírita que nos acolhia, sentíamos a necessidade da arte ser vista com a mesma dimensão das outras atividades da casa.  Então, partindo da premissa que se a dança nos trazia tantos benefícios físicos como espirituais, também o faria aos demais companheiros da casa, não importando a idade cronológica, iniciamos o grupo adulto.

            As aulas eram realizadas semanalmente e em horário pré-estabelecido e, como citamos nos grupos anteriores, compreendiam também vivências de diferentes técnicas de dança e improvisação.  O pequeno grupo, formado inicialmente, chamou a atenção de outros trabalhadores da casa, e mais companheiros vieram espontaneamente se juntar à nova experiência.            Ao propormos uma apresentação, como resultado do trabalho e das vivências do grupo, num primeiro momento, mostraram-se resistentes, mas a resistência inicial foi cedendo lugar à alegria, ao entusiasmo e a um envolvimento cada vez maior.

            Para exemplo e admiração de todos, uma das senhoras mais idosas da casa, foi uma das primeiras a integrar o grupo, ensinando-nos a todos, que os limites estão mais na mente que no corpo, e que a dança, vivenciada em sua totalidade, não impõe limites, senão aqueles que nós próprios nos impomos.

 

 

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

            Nossas limitações ainda não nos permitem divisar toda a dimensão da dança na vida humana e além dela. Aqui, apresentamos um pouco da nossa experiência e das nossas reflexões particulares no campo da dança na casa espírita.

            Os caminhos são muitos. Cada experiência é única e muito particular.

            Não existe caminho certo, nem receitas a serem seguidas.  A experiência se constrói dentro do contexto em que está inserida e das relações que estabelece com cada indivíduo envolvido, em determinada época e lugar.  Com toda a certeza, as experiências vivenciadas no Grupo Espírita de Dança Evolução, no período de 1995 a 2004 serão diferentes das atuais e estas, diferentes das porvindouras. Cada experiência é singular, sem parâmetros para comparações, mas significativa e transformadora, para cada um, dentro do seu universo particular.

            Desejamos, que o nosso relato contribua de alguma forma, com o trabalho dos diferentes grupos, não como modelo a ser seguido, mas como pequenina semente, que levada pelo vento, dê origem a novas vivências de transformação e alegria.

           

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

 

 

ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª edição. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.

 

ALVES, Walter Oliveira. Prática Pedagógica na Evangelização: Conteúdo e Metodologia. 1ª edição. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1998.

 

DENNIS, Leon. O Espiritismo na arte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994.

 

FUX, María. Dança, experiência de vida. 3ª ed. São Paulo: Summus, 1983.

 

INCONTRI, Dora. A Educação segundo o Espiritismo. 1ª ed. São Paulo: FEESP, 1997.

 

NANNI, Dionísia. Dança Educação: Pré-escola à Universidade. Rio de Janeiro: Sprint, 1995.

 

ROCHA, Ruth. Minidicionário. São Paulo: Scipione, 1995.

           

O que é dançaterapia. Disponível em:

http://www.dancaterapia.com.br/

           


[1] Entendemos aqui, por grupo espírita de dança, um conjunto de pessoas, seja jovens, adultos ou crianças que se reúnem regularmente para aprimorarem técnicas de dança, estudarem e montarem coreografias à luz do espiritismo, bem como realizarem apresentações.

 

[2] Grupo criado em Dezembro de 1995 no Instituto de Difusão Espírita em Araras/São Paulo, que desenvolveu um trabalho de dança à luz do Espiritismo envolvendo crianças, jovens, adultos, idosos e portadores de necessidades educativas especiais. O trabalho do grupo culminou com a criação da I Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito” em Outubro de 2001. O grupo atua até hoje.

[3] O Curso de Evangelizadores é oferecido anualmente no Instituto de Difusão Espírita – Araras/SP no período do carnaval e conta com oficinas artísticas de dança, música, teatro, artes plásticas e literatura.

[4] O Departamento de Evangelização do Instituto de Difusão Espírita oferecia várias oficinas artísticas (dança, música, teatro, artes plásticas e literatura) em horários a parte da evangelização.  As crianças tinham liberdade de optar pela oficina que mais lhe despertasse o interesse. Muitas crianças faziam mais de uma oficina.

[5] Dançaterapia é uma abordagem corporal, voltada ao conhecimento pessoal que estimula o movimento criativo e a espontaneidade do corpo, motivando a comunicação e a integração entre as pessoas, procurando oferecer-lhes confiança para transformar o  eu não posso por uma nova atitude do corpo que diz: Sim, eu Sou Capaz. Fundamentada na metodologia criada pela bailarina argentina María Fux e na transpessoalidade, a Dançaterapia busca utilizar os recursos artísticos, educacionais e terapêuticos da dança para encontrar as pessoas e auxiliá-las a descobrir caminhos, superar os desafios e viver mais felizes.  

 

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Dança Contemporânea e Espiritismo

“A dança é um ato litúrgico do cosmo quando parteja. O que nasce, dança. O que vive, dança.

E o que

morre permuta outro campo de movimento … inicia novo círculo de expressão com nova significação!”

 

                 (Espírito Ananda, 2003- Casa de Oração Fé e Amor)

 

Gostaria de compartilhar neste texto conceitos que, acredito, aproximam a linguagem da dança contemporânea e o Espiritismo. Portanto, achei conveniente relatar um pouco da minha trajetória pessoal entre estes dois universos, a fim de que, possamos entender de onde surgiram estes possíveis diálogos e juntos busquemos outras proximidades.

Sou bailarina e espírita. Atuo como coreógrafa, professora e pesquisadora de dança contemporânea. Graduada pela Universidade Estadual de Campinas e especialista em estudos contemporâneos da dança pela Universidade Federal da Bahia, em parceria com a Faculdade Angel Vianna, no Rio de Janeiro. Integro o Grupo das Excaravelhas de dança contemporânea em Campinas. Escolhi trabalhar como arte-educadora ou artista-docente como define [1]Isabel Marques.

Há mais ou menos sete anos tornei-me adepta do Espiritismo, o que causou – me uma significativa transformação no meu modo de perceber e conceber a vida. A Doutrina Espírita revelou-me a riqueza do evangelho de Jesus através do conhecimento amplo que Ele possui sobre o amor e o amar. A Doutrina Espírita me revelou ainda, na sua filosofia, a crença na vida após a morte, a possibilidade de comunicação entre encarnados e desencarnados e a reencarnação.

O maior aprendizado que obtenho na Doutrina Espírita é exatamente que todos nós um dia encontraremos a Deus e que para isso é necessário que superemos as nossas imperfeições representadas no Espiritismo pelo tripé da: vaidade, do orgulho e do egoísmo. Mas, como superar as nossas imperfeições? Conhecendo-nos a nos mesmos. Esta é a grande chave que nos é ofertada pelo Espiritismo.

Durante todos estes anos de atuação com a dança e por tanto com a arte, venho justamente procurando compreender de que maneira a dança me ajuda a construir conhecimento sobre o mundo e sobre mim mesma. Tive oportunidade de me apropriar de algumas técnicas da dança moderna e de algumas linguagens de danças brasileiras, passando pela capoeira, congos, maculelê, samba - de – roda e outras manifestações da cultura popular brasileira.

No entanto, foi na dança contemporânea que encontrei sentido para prosseguir construindo conhecimento. O motivo maior desta escolha está relacionado aos princípios históricos a que ela se atrela.

Na década de 60, período em que a dança contemporânea efervescia nos Estados Unidos, o palco italiano deixava de ser o lugar exclusivo da dança, que passa a invadir os espaços públicos. Coincidentemente foi em uma igreja em Nova York, a Judson Memorial Church, que um grupo de bailarinos realizou uma variedade de experimentações, questionando o que poderia ser nomeado como dança e em quais espaços essa arte poderia ocupar e se expor. (Salles, 2006)

A proposta era encurtar as distâncias entre artista e público, tanto através dos espaços ocupados, como através da movimentação utilizada nas criações, nas quais foram introduzidas gestuais comuns ao cotidiano popular. Outra possibilidade aberta nesta proposta foi o diálogo entre diferentes estilos de dança e práticas corporais, buscando encontrar nas diferenças as congruências de sentidos e significados.

Este pensamento ideológico possibilitou uma diversificação da linguagem da dança, no sentido em que ela pôde acolher diferentes meios de manifestação pelo movimento. Caem por terra verdades absolutas de corpos específicos adequados à dança, de artistas superiores a espectadores, de apenas uma forma de dança adequada a simbolizar, leveza, tristezas, amores, morte, assim como, a idéia de que a dança sempre é uma manifestação de alegria e beleza.

As relações e experiências humanas são consideradas pela dança contemporânea como um recurso de criação essencial, pois estas experiências revelam-se nos relacionamentos como um conhecimento sobre o indivíduo e deste sobre o mundo. Uma vez que ela não possui um código de movimentos pré-estabelecido, como encontramos na dança clássica, por exemplo, a dança contemporânea permite ao seu intérprete-criador, elaborar e construir os seus próprios códigos de movimentos, de acordo com o conhecimento e os sentimentos que possui, tanto no aspecto técnico da dança como no aspecto moral. Dançar é sua forma pessoal de interpretar o mundo. É o seu caminho pessoal com Deus.

Ao criarmos e elaborarmos códigos de movimentos, encontrarmos representações na linguagem da dança para nossos sentimentos ou percepções do mundo, consequentemente reelaboramos idéias e conceitos de nós mesmos ou da sociedade na qual estamos inseridos. Além de revermos conceitos, temos a possibilidade de criarmos através da arte, universos imaginários onde a poesia pode substituir a apatia. Ou seja, abrimos espaços para a transformação da nossa realidade.

O ato de criar é portanto, um ato de construção de conhecimento e de transformação do ser humano. Uma vez que para sonhar com um novo homem e uma nova sociedade é preciso primeiramente tomar a consciência do nosso atual estado evolutivo, sabendo que ele é temporário e passageiro e assim, aspirarmos condições mais elevadas.

É justamente neste aspecto que a dança contemporânea e a Doutrina Espírita se aproximam, na minha opinião, partindo do princípio de que expressamos exatamente aquilo que somos e pensamos, mas não estamos presos a estas formas. Deus nos possibilitou a capacidade de modificá-las através do nosso esforço próprio e do nosso aprendizado.

Entretanto todas estas etapas de construção de conhecimento só terão sentidos quando o maior deles for adquirido. A de que Deus rege todas as coisas do universo e que portanto sendo eu parte do universo também sou regida por Deus.

O caminho desta mudança no entanto, é percorrido num tempo indeterminado e em espaços variados onde o Espírito pode habitar. Assim, tal qual na dança, é o movimento, o tempo, o espaço, que estimula o surgimento da beleza, do novo, em detrimento do velho.

 

 

 

Uma vez que, somos Espíritos eternos e que sabemos que a nossa evolução ocorre na terra, assim como em outros planetas, à medida que, nos transformamos vamos modificando também nossos códigos de movimentos e nossas expressões. Vamos modificando as nossas forma de dançar, de representar a nós mesmo e ao mundo. Eis aqui mais um diálogo possível da linguagem da dança contemporânea com o Espiritismo, pois ela representa o estágio evolutivo do nosso Espírito.

Em suma; chegar a Deus no estágio que nos encontramos é um percurso composto de muitas vicissitudes e dos vícios que trazemos desta e de outras encarnações. O processo de criação da dança contemporânea, sob a luz do Espiritismo, nos permite encontrar a beleza apesar das sombras. Ou seja, ela não mascara as nossas imperfeições e as nossas dificuldades, mas ela aponta caminhos por meio da arte do movimento de transformamos esta realidade, em uma nova realidade com Jesus que nos ensina a amar buscando o verdadeiro sentimento de humanidade:

Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo

(Mateus 22:37-39)

Dançar perpetua o movimento do eterno e do divino em nós.

 

[2]Nascer, Morrer, renascer ainda e Progredir sem cessar, tal é a lei

(Allan Kardec)

 

[3]O que vive, dança. E o que morre permuta outro campo de movimento…inicia novo círculo de expressão com nova significação!”


Bibliografia  Utilizada:

ALLAN, K. (1857)- O Livro Dos Espíritos de Estudos-tradução Francisco Maugeri-1ª.edição (2007). Cáritas Editora – Campinas.

ALLAN, Kardec. (1864)- – O Evangelho Segundo O Espiritismo de Estudos -tradução – Francisco Maugeri – 1ª. edição (2004). Cáritas Editora – Campinas.

BANES, S.(1987) Terpsichore in Sneakers. Connecticut, Wesleyan- University Press.

HAY, Débora. Artigo (s/ data) : Comprimentos de Ondas ou Fio Telefônicos? In: DALY, Ann (org). Em que se Transformou a Dança Contemporânea?.

SALLES, Paula. (2006) Dançando o Sagrado na Contemporaneidade. Monografia de conclusão do curso de Especialização em Estudos Contemporâneos de Dança pela UFBA e pela Faculdade Angel Vianna.

Referências Bibliográficas:

BOURCIER, Paul. (1987). História da Dança no Ocidente. Editora Martins Fontes. São Paulo.

In, BREMSER, M. (1999) - Fifty Contemporary Choreographers

Selection and editorial matter-

CORTES, Gustavo Pereira - Dança, Brasil: festas e danças populares

MARQUES, Isabel (1999) – Ensino de Dança Hoje: textos e contextos. São Paulo: Editora Cortez.

GOLBERG, K (s/d). –Performance – Live art since the 60’

PORTINARI, Maribel (1989) –História da Dança – Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira

 

 

 



[1] Profa. Dra. Isabel Marques, fundadora e diretora da Caleidos Cia de Dança. Vide o livro o Ensino da Dança Hoje: textos e contextos. 1999.

 

[2] Frase escrita no túmulo de Allan Kardec

[3]Vide introdução do texto.

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25/1/09

Dança na Educação do Espírito

(Trechos do Livro: Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita – Teoria e Prática – Walter Oliveira Alves – IDE Editora)

 

“Dançando, o homem transcende o ser físico, adentrando na harmonia com o ser espiritual que há em si mesmo e exterioriza esse ser espiritual em vibrações harmônicas nos movimentos de seu corpo.”

 

          Embora menos comum no meio espírita, a dança vem ganhando cada vez mais espaço e demonstrando sua capacidade de sensibilizar.

          A dança, embalada ao ritmo suave de melodias sensibilizadoras pode provocar emoções dantes nunca sentidas.

          O espírito Camilo, em Memórias de um Suicida, narra um espetáculo cuja beleza “atingia o indescritível, quando, deslizando graciosamente pelo relvado florido, pairando no ar quais libélulas multicores, os formosos conjuntos evolucionavam…” O empolgante espetáculo era acompanhado de “orquestrações maviosas onde os sons mais delicados, os acordes flébeis de poderosos conjuntos de harpas e violinos (…) arrancavam de nossos olhos deslumbrados, de nossos corações enternecidos, haustos de emoções generosas que vinham para tonificar nossos espíritos, alimentando nossas tendências para melhor (…)”. Os espíritos, suicidas, cientes de sua condição e dos sofrimentos e desafios que os aguardavam, sentiam-se fortalecidos em sua vontade de crescer e se elevar.

 

          A arte trabalhava com a energia volitiva, levando-os a querer evoluir, a querer melhorar-se.

* * * * * * * * * *

 

          Quando nosso grupo de dança* foi formado as diversas turmas de evangelização estavam trabalhando a primeira parte de O Livro dos Espíritos, o tema Criação.  Foi proposto ao grupo uma coreografia que desse a idéia de Evolução, idéia que, de início, pareceu arrojada demais.

          No entanto, grupo se empenhou no trabalho, escolhendo as músicas com cuidado que, em poucas semanas, tínhamos uma coreografia representando toda a evolução, desde os seres unicelulares até o homem. A emoção foi intensa, e todos perceberam as possibilidades quase infinitas da dança**.

          O grupo de dança, que recebeu o nome de Evolução, foi, durante muitos anos, o mais profícuo em criatividade e dinamismo***.

 

* Referência ao “Grupo Espírita de Dança Evolução”, criado em Dezembro de 1995 no Instituto de Difusão Espírita.

 

** Importante citar, que na formação do grupo, nenhum dos integrantes nunca havia feito uma aula técnica de dança, apenas uma jovem, que a partir de então assumiu a coordenação do grupo.

 

***O Grupo Espírita de Dança Evolução chegou a ter mais de cem integrantes, entre crianças, jovens, adultos e idosos e, ainda hoje, continua desenvolvendo o mesmo trabalho, agora também com deficientes físicos.

 

 

*******************

         

Acreditamos ser indispensável,  para iniciar o trabalho, alguém com curso de dança e que, acima de tudo, realize a tarefa com muito amor.  Todavia, temos a certeza que os trabalhadores sinceros estão por toda parte.

As possibilidades de criação poderão variar ao infinito.

Talvez o mais importante, seja manter no grupo o espírito de união e cooperação. E o cimento que dá coesão a toda obra desse porte é o amor.

A técnica é necessária, mas o amor ao trabalho bem feito, o amor à arte é indispensável.

 

 

“Assim como a música trabalha com os movimentos interiores da alma, a dança exterioriza os movimentos do seu mundo interior.  Dançando, o homem transcende o ser físico, adentrando na harmonia com o ser espiritual que há em si mesmo e exterioriza esse ser espiritual em vibrações harmônicas nos movimentos de seu corpo.A emoção vibra em seu coração e se exterioriza nos movimentos harmônicos do corpo, que representam os movimentos interiores da alma. O artista abre espaço o próprio espaço para a sua vibração, que se expande além do visual e atinge o expectador que pode captar, não só pelos olhos e pelos ouvidos, mas entrando em sintonia com essa vibração.” ( Educação do Espírito. Walter Oliveira Alves. IDE Editora – Cap. 8 – item 6)

 

 

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10/1/09

VIII Mostra Espírita de dança já têm data marcada

Em reunião no fim de 2008, ficou definida a data para a VIII Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito”, que acontecerá em Araras/São Paulo.
A Mostra ocorrerá nos dias 10, 11 e 12 de Outubro de 2009 no Instituto de Difusão Espírita e contará com o apoio da Abrarte ( Associação Brasileira de Artistas Espíritas). Esta mostra também contará em caráter inédito com a I Oficina de Formação de Coreógrafos Espíritas, com duração de 16 horas; além de oficinas, centros de interesse, palestras e apresentações de grupos espíritas de dança de todo o Brasil.

Maiores informações: almanova@ig.com.br

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9/1/09

Oficina de Formação de Coreógrafos Espíritas

Alô  bailarinos(as) espíritas!

Nos dias 10, 11 e 12 de Outubro de 2009, teremos mais uma edição da Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito”, que agora passa a ter caráter nacional.

Durante a mostra espírita de dança, teremos um workshop “Oficina de formação de coreógrafos” de 16 horas de duração. Para participar do workshop, que têm vagas limitadas, é preciso ser coreógrafo de algum grupo espírita de dança.

A mostra espírita de dança é um evento aberto a participação de quaisquer interessados. Além do workshop já citado, a mostra conta com oficinas, palestras, centros de interesse e apresentações de grupos espíritas de dança.

Interessados entrar em contato: almanova@ig.com.br

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Espiritismo na dança

ESPIRITISMO NA DANÇA

                                                      Daniela L. Pereira Soares

 

“…Cada vez que penso em dança; Meu corpo ganha uma vida exuberante; Um brilho que nenhum ser humano tem;
Minhas mãos falam várias línguas; Que todos conseguem entender; Meus pés ganham vida como se dançassem sós;
Meu corpo grita; Todas as palavras do meu espírito;
Como se eu nunca tivesse falado…”

                                                                       Mayra Santos

 

           

            Se apurarmos o nosso olhar no movimento de arte espírita, mais precisamente nas diferentes linguagens artísticas presente no movimento, veremos que, enquanto os grupos de música, os corais, os grupos teatrais representam centenas no movimento espírita, a dança ainda se move timidamente nestes cenários. Os motivos são inúmeros. Vão desde o preconceito com esta forma de arte, geralmente vinculada à sensualidade e temas menos dignos veiculados pela mídia até a falta de pessoas preparadas para trabalhar com um grupo de interessados, já que exige uma formação técnica.  Nosso intuito não é o de fazer comparações, nem quantificarmos qual linguagem artística têm mais adesões no movimento espírita, apenas aguçarmos mais o nosso olhar para enxergarmos a dança no contexto do movimento de arte espírita. Apesar de se verificar um crescimento no número de grupos espíritas de dança, sua representatividade ainda é pequena em relação às demais formas artísticas.

            Além de contextualizar a dança no movimento espírita, nosso objetivo é refletir sobre sua especificidade e os benefícios de sua prática de forma sucinta, baseando nossa fala na experiência de dez anos no trabalho de difusão do espiritismo na dança, do nosso contato com grupos espíritas de dança através da Mostra Espírita de Dança “Oficina do Espírito” [1], e do embasamento teórico de pesquisadores da dança e de autores da nossa vasta codificação como Léon Denis.

            Entendemos aqui, por grupo espírita de dança, um conjunto de pessoas, sejam jovens, adultos ou crianças que se reúnem regularmente para aprimorarem técnicas de dança, estudarem e montarem coreografias à luz do espiritismo, bem como realizarem apresentações.

           

                       

A dança no movimento espírita

 

“… Sim, certamente o Espiritismo abre á arte um campo novo, imenso e ainda inexplorado; e quando o artista reproduzir o mundo espírita com convicção, haurirá nessa fonte as mais sublimes inspirações, e o seu nome viverá nos séculos futuros, porque às preocupações materiais e efêmeras da vida presente, substituirá o estudo da vida futura e eterna da alma.”

                                                                                      Allan Kardec

           

            Há tempos temos observado que grande parte dos centros espíritas conta com um ou mais grupos de música, seja ele coral ou um grupo/banda de música. São muitos os grupos que lançam cd´s e fazem apresentações para público espírita e não espírita. Além disso, existem vários festivais, onde se estuda e se aprimora tecnicamente o trabalho vocal e tudo o que envolve a produção artística nessa área. O mesmo acontece na área da dramaturgia. Não podemos afirmar que toda casa espírita conta com um grupo de teatro, mas existe uma grande quantidade de grupos e festivais/encontros relativos a essa modalidade artística. Já a dança, é muito menos comum. Suas aparições se limitam a apresentações de fim de ano, onde um grupo se organiza e monta uma coreografia, geralmente turmas da evangelização infantil, às vezes aparece dentro de uma peça teatral onde há uma rápida performance ou numa apresentação de um grupo musical, onde algumas pessoas desenvolvem movimentos referentes à letra da música, ou nem isto, apenas movimentam-se seguindo o ritmo. Como dissemos anteriormente, menos comum que os grupos teatrais e musicais, existem grupos espíritas de dança, que trabalham especificamente esta linguagem artística, fazendo uso de técnicas e desenvolvendo um trabalho sério, mas em relação às demais linguagens artísticas seu número é muito reduzido.

            Buscando motivos para entender, para contextualizar, tentaremos listar alguns itens que podem explicar o porquê:

  • Preconceito – essa palavra é um tanto quanto forte, mas buscando a ajuda de um dicionário vemos que “preconceito é um conceito antecipado; opinião formada sem reflexão, superstição, prejuízo”.  Acreditamos que essa palavra cabe aqui em nossa discussão. A dança, diferente de outras linguagens, sofre com o preconceito. Geralmente quando se fala em dança, a maioria das pessoas a liga a sensualidade, a sexualidade, a imagens estereotipadas passadas pela mídia. Segundo OSSONA (1984), a dança, que muitos historiadores apontaram como a mais antiga das artes, é paradoxalmente – em sua forma culta – a de mais recente aparição entre nós.  Somado a isso, temos o pouco acesso que a maioria das pessoas tem a espetáculos de dança, contribuindo para que seja criado um preconceito, já que o modelo mais próximo é o passado pelos veículos de comunicação ou referente a própria cultura regional em que o sujeito está inserido.  Essa questão é muito interessante, porque estudando a dança em outras correntes religiosas verificamos o mesmo conflito, a mesma dificuldade nesta linguagem artística.
  • Outro fator está relacionado com a sua própria especificidade. A música e a dramaturgia têm a palavra a seu favor, o que facilita o entendimento da mensagem que se queira transmitir.  Já na dança, é preciso criar um movimento sem o uso da palavra, o que nem sempre é tão fácil.  A coreografia é criada sem um roteiro pronto, que se encontra numa obra, mas num roteiro que se constrói da interação do estudo da doutrina com a criação de movimentos relacionados com a mensagem que se queira transmitir ou fazer sentir.  Daí encontrarmos muitas pessoas com formação técnica na dança nos fazendo a clássica pergunta: Espiritismo na dança, como fazer?
  • A ausência de pessoas com formação técnica na área e que tenha conhecimento da doutrina, às vezes representa um empecilho, principalmente para os grupos que estão começando, pois apesar de terem um respaldo técnico de um profissional da área, a montagem da coreografia se torna encargo do grupo, já que exige estudo e conhecimento da doutrina espírita.

 

O objetivo de listarmos esses itens, não foi de qualquer forma o de fazermos um levantamento das dificuldades encontradas, mas de tentarmos entender porque a dança ainda aparece tímida no movimento de arte espírita, enquanto as demais modalidades aparecem de forma mais expressiva.

O panorama da dança no movimento de arte espírita vem se ampliando.  Muitos grupos têm sido criados e os já existentes buscam aprimoramento técnico e doutrinário.  O objetivo maior é a união dos grupos para que se ajudem mutuamente compartilhando experiências, produzindo materiais, organizando mostras, enfim, crescendo juntos.

 

Novos horizontes

 

 

“Usa a criatividade e a beleza da Arte para modelar o protótipo ideal do “homem novo” que será aquele que hoje se apresenta à tua frente como Espírito sedento de educação com amor”.

                                                                      Autor desconhecido

 

 

Segundo ACHCAR (1980), a dança em sua forma elementar é uma necessidade natural e instintiva do homem exaurir, pela movimentação, um estado emocional. É a arte do movimento e da expressão, onde a estética e a musicalidade prevalecem.

A dança, como as demais formas de arte acompanham o homem no seu processo evolutivo, evoluindo com ele.

 

“Como há evolução nos seres, há evolução nas artes. Têm-se os primitivos nas artes da mesma forma que nas ações e nas virtudes, porém a centelha sempre brilha nas condições nas quais pode manifestar-se para afirmar a grandeza de Deus.” (Dennis, 1922, p.77)

 

            Isto se torna claro se voltarmos nosso olhar ao homem primitivo e suas manifestações ainda desordenadas e instintivas e caminharmos com ele e sua dança pelo Egito, Assíria, Pérsia, índia, China, Grécia, Roma e Europa Ocidental, prosseguindo pela Idade Média, Renascença até nossos dias.

            A prática da dança permite ao homem enriquecer tanto qualidades físicas, como psíquicas e espirituais. No que diz respeito as primeiras podemos citar: a beleza corporal, a visão, a precisão, a coordenação, a flexibilidade, a tenacidade, a imaginação, a expressão, o trabalho em grupo, a cooperação, entre tantos outros benefícios. Mas é no campo espiritual que entendemos toda a sua extensão:

           

 

“Assim como a música trabalha com os movimentos interiores da alma, a dança exterioriza os movimentos do seu mundo interior. Dançando, o homem transcende o ser físico, adentrando na harmonia com o ser espiritual que há em si mesmo e exterioriza esse ser espiritual em vibrações harmônicas nos movimentos de seu corpo. A emoção vibra em seu coração e se exterioriza nos movimentos harmônicos do corpo, que representam os movimentos interiores da alma. O artista abre espaço no próprio espaço para a sua vibração que se expande além do visual e atinge o expectador que pode captar, não só pelos olhos e pelos ouvidos, mas entrando em sintonia com essa vibração.” (Alves, 2000, p.206)

 

            Daí a importância fundamental da reforma íntima, o grande diferencial que transforma nossa arte e nos transforma.  O objetivo primeiro de todo grupo espírita de dança – modificar-se.

            Finalizando nosso artigo, acreditamos que muito há o que ser estudado e pesquisado acerca da dança no espiritismo, estamos no limiar de um processo, mas o futuro depende do nosso trabalho no hoje.

Sabemos que há um longo caminho pela frente, cheio de pedras e às vezes espinhos, mas as flores e as alegrias nos esperam na medida do nosso esforço por renovarmo-nos.  Assim, num equilíbrio perfeito, o que deve nos mover é a busca pela técnica para que o nosso instrumento de expressão se torne cada vez melhor e a busca pela melhoria interior, para que sintonizados com o Alto possamos expressar pela dança nossa essência divina que emana de Deus.

 

                                                                            Daniela Luciana Pereira Soares        

 

Referências bibliográficas:

 

  • ACHCAR, Dalal. Balé uma arte.  2ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998.
  • ALVES, Walter Oliveira. Introdução ao Estudo da Pedagogia Espírita: Teoria e Prática. 1ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 2000.
  • DENNIS, Leon. O Espiritismo na arte. 2ª ed. Rio de Janeiro: Publicações Lachâtre, 1994.
  • KARDEC, Allan. Obras Póstumas. 3ª ed. Araras/São Paulo: Instituto de Difusão Espírita, 1995.
  • OSSONA, Paulina.  A Educação pela Dança.  São Paulo: Summus, 1988.
  • ROCHA, Ruth. Minidicionário São Paulo: Scipione, 1995.

 

criado por anapaz    15:23:18 — Arquivado em: Textos dança espírita — Tags:

Dança bailarina, dança

Dança,bailarina,dança…
Põe nos teus passos toda a harmonia
E toda a poesia nas pontas de teus pés
Em gestos nobres,faze surgir a fé!!!

Gira,bailarina,gira…
Vai girando e semeando amor,
Mais depressa que as voltas do mundo,
Pra que haja tempo de matar a dor!

Baila,bailarina,baila…
Traze contigo a primavera
Pra florir os campos,florescendo a Terra,
Numa explosão de cores que tua dança encerra.

Faze de tua arte uma suave prece
Capaz de enternecer os corações de pedra
Faze tua música soar tão alto
Calando assim os estopins da guerra!!!

Mostra ao Homem que o teu bailado
Expressa a vida nesse simples ato…
Onde o amor é tudo,onde o amor é nato.

Que em teus saltos ponhas tua garra
Seguindo sempre a luz de teu clarão,
Quebrando muros para unir os povos
Num universo único,onde se dêem as mãos.

Abre tua alma,no explendor da dança…
Não desistas nunca e verás,enfim,
Bailar no campo,doce e cálida esperança,
Em meio às flores de um lindo jardim…

Carmen Lúcia de Souza

criado por anapaz    15:20:52 — Arquivado em: Poesia dança — Tags:,
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